Talk show reuniu representantes de quatro federações para discutir crédito, endividamento, infraestrutura, ambiente de negócios e perspectivas de desenvolvimento do Rio Grande do Sul
Os desafios da economia gaúcha, as dificuldades enfrentadas pelos setores produtivos e os caminhos para ampliar investimentos e gerar oportunidades estiveram em debate na noite de sexta-feira, 9 de outubro, durante a Expo Getúlio Vargas 2026. O talk show reuniu quatro lideranças estaduais que representam o comércio varejista, o setor empresarial, o agronegócio e a agricultura familiar, proporcionando uma troca de experiências sobre a conjuntura econômica e as perspectivas para o futuro do Rio Grande do Sul.
Participaram do encontro Marcos Carboni, vice-presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul e presidente da CDL Metropolitana; Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul); Domingos Antônio Velho Lopes, presidente do Sistema Farsul; e Douglas Cenci, coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF-RS).
Ao longo da conversa, os participantes apresentaram as principais bandeiras de suas entidades, analisaram os obstáculos enfrentados pelos setores que representam e discutiram medidas consideradas necessárias para fortalecer a economia. Embora tenham apresentado diferentes avaliações sobre políticas públicas e o cenário nacional, reconheceram a importância da integração entre as atividades econômicas e da construção de soluções para o desenvolvimento do Estado.
VAREJO ENFRENTA JUROS ALTOS E INADIMPLÊNCIA
Representando o comércio varejista, Marcos Carboni destacou a preocupação com o aumento do endividamento das famílias e das empresas, as dificuldades de acesso ao crédito e as mudanças no comportamento dos consumidores.
Segundo ele, os pequenos e médios negócios enfrentam condições de financiamento menos favoráveis do que as grandes empresas, situação agravada pelas taxas de juros elevadas. Também chamou a atenção para a concorrência com o comércio eletrônico e a necessidade de oferecer uma experiência diferenciada ao consumidor nas lojas físicas.
Outra pauta defendida por Carboni foi a atualização dos limites de faturamento do Simples Nacional. Na avaliação do dirigente, a defasagem desses valores compromete a expansão das empresas e pode desestimular investimentos e a geração de empregos.
FEDERASUL DEFENDE MELHORIA DO AMBIENTE DE NEGÓCIOS
O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, apresentou uma visão abrangente dos desafios estruturais do Rio Grande do Sul, com destaque para a infraestrutura, a competitividade, a segurança jurídica e a capacidade de atrair investimentos.
Ele abordou o Manifesto do Empreendedor, documento elaborado pela entidade com propostas distribuídas em 12 eixos para impulsionar o desenvolvimento estadual. Entre as preocupações estão a situação da malha ferroviária, os entraves a projetos de energia e mineração e a necessidade de melhorar as condições para quem deseja empreender.
Sousa Costa também ressaltou a interdependência entre pequenas, médias e grandes empresas. Na sua avaliação, o fortalecimento de uma atividade econômica beneficia toda a cadeia produtiva, movimentando o comércio, os serviços, a geração de empregos e a arrecadação dos municípios.
Para o dirigente, uma das prioridades é ampliar o diálogo com o governo federal, especialmente em questões relacionadas à dívida pública gaúcha, aos investimentos em infraestrutura e à criação de um fundo constitucional para a Região Sul.
ENDIVIDAMENTO RURAL PREOCUPA A FARSUL
O presidente do Sistema Farsul, Domingos Antônio Velho Lopes, concentrou sua análise nas dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, especialmente em consequência das sucessivas estiagens e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
De acordo com os números apresentados pelo dirigente, o endividamento rural gaúcho alcança aproximadamente R$ 45 bilhões. Ele avaliou que as medidas adotadas para renegociar os compromissos financeiros ainda são insuficientes diante da dimensão das perdas acumuladas pelo setor.
Domingos Lopes defendeu a ampliação dos mecanismos de proteção à produção, o fortalecimento do seguro agrícola e melhores condições de financiamento. Também destacou a importância da segurança jurídica, da responsabilidade fiscal e da adaptação das propriedades às mudanças climáticas.
Durante sua participação, o presidente da Farsul alertou ainda para dificuldades no abastecimento de óleo diesel em determinadas regiões e para os possíveis reflexos sobre os custos das atividades agropecuárias.
AGRICULTURA FAMILIAR BUSCA RENDA E SUCESSÃO NO CAMPO
O coordenador-geral da FETRAF-RS, Douglas Cenci, abordou os desafios da agricultura familiar, ressaltando os avanços conquistados nas últimas décadas por meio de políticas públicas de crédito, seguro agrícola e comercialização.
Apesar desses resultados, afirmou que os custos elevados de produção, as margens reduzidas de rentabilidade e os eventos climáticos extremos comprometem a sustentabilidade econômica das pequenas propriedades.
Cenci também destacou a necessidade de repensar os modelos produtivos, incorporar tecnologias, diversificar as atividades e agregar valor aos produtos, especialmente por meio das agroindústrias familiares.
A sucessão rural foi outro ponto de sua participação. Para ele, garantir a permanência dos jovens no campo exige mais do que renda: é necessário oferecer condições adequadas de vida, com acesso à educação, internet, energia elétrica, estradas, cultura e lazer.
O dirigente valorizou ainda a presença das agroindústrias familiares em feiras como a Expo Getúlio Vargas, destacando que esses espaços contribuem para a divulgação dos produtos, a aproximação com os consumidores e o reconhecimento do trabalho realizado pelas famílias agricultoras.
PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO E PERSPECTIVAS PARA O FUTURO
O talk show também abriu espaço para perguntas do público. Entre os assuntos levantados estiveram as questões fundiárias e ambientais, os entraves burocráticos à comercialização de produtos artesanais e os desafios econômicos enfrentados pelos agricultores.
Na etapa final, os convidados foram convidados a apontar prioridades para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. As manifestações destacaram a necessidade de facilitar o acesso ao crédito, reduzir entraves aos investimentos, recuperar a infraestrutura, fortalecer políticas de proteção à produção e criar condições para que empresas e propriedades rurais possam crescer de forma sustentável.
Mesmo com diferenças de posicionamento sobre a atuação dos governos e as políticas econômicas, o encontro evidenciou a disposição das entidades em discutir problemas comuns e buscar alternativas para o futuro do Estado.
Ao final, os painelistas receberam lembranças da região, entregues por representantes das entidades envolvidas na organização da Expo Getúlio Vargas 2026.
Integrado à programação da feira, o talk show ampliou o espaço de discussão sobre temas que influenciam diretamente o desenvolvimento dos municípios, aproximando lideranças estaduais, empresários, produtores rurais e a comunidade regional.










