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Realizado durante a Expo Getúlio Vargas 2026, encontro reuniu produtores e representantes

de entidades para discutir a sustentabilidade econômica da atividade leiteira

A importância de produzir com eficiência, controlar custos e acompanhar as transformações do mercado esteve no centro dos debates do 3º Encontro de Bovinocultura de Leite, realizado na tarde de sexta-feira, 9 de outubro, durante a Expo Getúlio Vargas 2026. O evento reuniu produtores rurais, técnicos e representantes de entidades ligadas ao agronegócio, com foco na qualificação e no fortalecimento de uma das atividades econômicas mais importantes da região.

Na abertura, o presidente do Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Luiz Carlos Silva, ressaltou a contribuição da produção leiteira para a geração de emprego e renda e a permanência das famílias no campo. Também destacou a importância da atuação da Farsul na defesa dos interesses dos produtores e do Senar na oferta de capacitação e acesso a novas tecnologias.

O presidente da ACCIAS e da Expo Getúlio Vargas 2026, Roberto Paulo Gallina, reconheceu a dedicação das famílias que permanecem na atividade, mesmo diante das dificuldades. Ao lembrar que a produção de leite exige trabalho diário, independentemente de feriados ou finais de semana, valorizou a disposição dos participantes em buscar conhecimento para melhorar os resultados de suas propriedades.

A coordenadora regional da Emater/RS-Ascar, Fernanda Angonese, chamou a atenção para o papel da bovinocultura leiteira na economia do Alto Uruguai e para a necessidade de conciliar a experiência das gerações mais antigas com a inovação. Segundo ela, a redução da mão de obra disponível nas propriedades familiares torna a qualificação técnica cada vez mais necessária.

Representando o Sicredi, o diretor de Desenvolvimento de Negócios Agro, Ademir Lurkowski, abordou as mudanças no perfil da produção e os desafios de administrar uma propriedade rural em um cenário de custos elevados e margens de rentabilidade pressionadas. Entre os pontos destacados estiveram o acompanhamento dos indicadores econômicos, a incorporação de tecnologias e a sucessão familiar.

A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Rauliquenia Gradin, também valorizou o trabalho dos produtores. Filha de agricultores, lembrou sua ligação com a atividade leiteira e reconheceu a contribuição das famílias rurais para o desenvolvimento de Getúlio Vargas e dos municípios vizinhos.

GESTÃO TRIBUTÁRIA NA PROPRIEDADE RURAL

A programação técnica teve como um dos destaques a palestra “Os erros que custam caro no Imposto de Renda do Produtor”, ministrada pelo consultor fiscal e tributário Alexandre Dallazem.

Com exemplos do cotidiano das propriedades, o especialista explicou como a falta de organização documental pode provocar prejuízos financeiros, inclusive quando o produtor deixa de comprovar despesas efetivamente realizadas na atividade.

Dallazem orientou os participantes sobre a importância de manter notas fiscais, registrar receitas e despesas e separar as movimentações financeiras da propriedade dos gastos pessoais. Também abordou o planejamento tributário, os cuidados com investimentos e financiamentos, a organização patrimonial e os impactos das mudanças na legislação.

Um dos alertas foi para a diferença entre o resultado financeiro efetivo da propriedade e o lucro apurado para fins tributários. Sem documentação adequada, explicou, o agricultor pode acabar pagando impostos sobre valores que não representam o ganho real da atividade.

A palestra ainda trouxe reflexões sobre a necessidade de acompanhar os resultados ao longo do ano, em vez de deixar a organização das informações apenas para o período de entrega da declaração do Imposto de Renda.

CONTROLE DA MASTITE E QUALIDADE DO LEITE

A programação técnica também contemplou a sanidade do rebanho e a qualidade da produção, com a palestra “Abordagens práticas para o controle da mastite em fazendas leiteiras”, ministrada pela médica-veterinária Edinara Lima. Formada pela UPF, mestre em Ciência Animal pela Udesc, com ênfase em qualidade do leite, e atualmente doutoranda pela mesma instituição, Edinara possui experiência no acompanhamento técnico de propriedades leiteiras. A profissional atuou como técnica de campo do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Senar-RS, onde atualmente exerce a função de supervisora de campo. Também trabalha como consultora em qualidade do leite e gestão de propriedades em Santa Catarina.

A palestra acrescentou à programação a discussão sobre o controle da mastite, uma das principais enfermidades que afetam os rebanhos leiteiros, com reflexos na qualidade do produto e nos resultados econômicos das propriedades.

CONHECIMENTO PARA PERMANECER NO CAMPO

Além dos aspectos técnicos, o encontro reforçou a preocupação das entidades com a continuidade da produção leiteira, especialmente diante das dificuldades de sucessão familiar, da disponibilidade de mão de obra e das oscilações do mercado.

Integrado à programação da Expo Getúlio Vargas, o seminário também evidenciou a proposta da feira de oferecer, além da exposição de produtos e serviços, oportunidades de aprendizado e troca de experiências para quem vive e trabalha no meio rural.

O evento contou com patrocínio do Sicredi e da Cooperativa Santa Clara.